Fim de semana

Ele acorda, abre os olhos e sem coragem para encarar a claridade, se espreguiça para avisar para o resto do corpo que ele oficialmente acordou, ao mesmo tempo, ele respira fundo como se estivesse estocando ar para a fadiga do longo dia que tem pela frente. Faz tudo isso tão sincronizado, como se fosse algo que não precisasse da ajuda do cérebro, e aí então, o cérebro o lembra que ele ainda está lá e com ele vem vários pensamentos e lembranças. De tudo que lembra,  nada é mais importante do que lembrar dela. Sim, dela! Aí o coração trabalha mais feliz, parece até escola de samba no desfile de campeã.

Nesse mundo tecnológico, ele busca a razão que faz com que cérebro e coração sincronizem-se perfeitamente. Uma mensagem de bom dia, um status na rede social ou até mesmo uma foto mostrando que para ela o dia já está a todo vapor. George Orwell em seu livro 1984, descreve um mundo louco, cheio de tecnologia. Imagina se naquela época, 1948, quando o livro foi escrito, existissem realmente as “teletelas”. Hoje ele daria um abraço nela, graças a alguma tecnologia com hologramas ou coisa parecida, mas ainda não chegamos lá.

Como é bom sonhar, do mesmo jeito que ele sonha com ela, como é bom esperar mais do futuro. Como é bom esperar ansiosamente o fim de semana e acompanhando-o está justamente a razão da sua existência por essa selva de pedra monocromática, fria e vazia. Faz parecer que tudo tem sentido, que o transito é apenas um desafio que você precisa resolver para ganhar o tão esperado prêmio. O fim de semana. Ela.

E assim são os meus dias, ou talvez, assim eram, assim era o começo da vida que eu construí na minha imaginação. Mas e depois? O depois não importa, vivia esperando apenas para viver o fim de semana. Para viver com ela.

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Eu-Tempo

novembro 7, 2015 Deixe um comentário

Tempo resolveu, novamente, passear por entre as ruas desta cidade líquida. Eu, cá a observá-lo, notei um quê de melancolia nos passos arrastados, pesarosos e um tanto irregulares. Parece-me fatigado. 
Quando o percebi, carregando em seu corpo uma vestimenta amarelada, olhar furtivo e duas ou três pitadas de pele crua, logo parou, olhou, escutou o que ali se passava. Decerto que jamais saberei o que se passou a sua frente, mas queria entender o porquê da impassibilidade em sua face.

(…)

Vi uma figura cinza caminhando em minha direção. Imóvel, não sei bem o porquê, contive minha respiração e ou-vi, com temor, o ruído incauto do seu arrastar de pés, como se aquilo tudo tivesse sido a verdadeira causa da minha imobilidade.
Não sei como notou minha presença.
Meu corpo estremeceu, numa tentativa de fazer voltar a girar as horas.
Ao seu breve piscar de olhos, num rompante, todo ar se tornou movimento e nele pude, finalmente, seguir.

(…)

Tempo talvez não soubesse, mas agi como ele num instante breve. Já não ou-via mais nada: tudo me era no-ta-da-men-te pausado e somente eu estava em movimento, em sua direção, com passos também arrastados, pesarosos e um tanto irregulares. Senti-me fatigado.

Breve encontro, bem sei. Reflexo e reflexão.
Não há como contestar que seus vestígios ficaram a dançar nas alegorias do vento em forma de folhas amareladas caindo próximas aos meus pés.
Talvez estivesse tentando me dizer que meu caminhar devesse ser tão leve quanto.

Isso, no entanto, só ele poderá dizer.

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Deixou…

 

deixou de acordar cedo, o dia não parecia mais interessante
deixou a cama bagunçada, não tinha mais animo pra arrumar
deixou o café esfriar decidiu que chá era melhor
deixou de ir na academia, deixa os monstros só nos medos
deixou o livro na metade, aquela ideia de autor já era ultrapassada
deixou de se passar perfume, o seu cheiro ainda estava em sua roupa
deixou de usar preto, pois lembrava da cor do seu cabelo,
deixou a alegria, ainda escutava o som da sua risada,
deixou de dormir, todas as noites seus sonhos eram invadidos
deixou a emoção e só conversou com a razão
deixou de pensar
deixou de se importar e quando deixou tudo…

 

Tudo, ainda não o tinha deixado.

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“Ei, ‘fulano’, vai tomar no c*!” – Sobre a (falta de) civilidade brasileira

É inquietante o fato de que, ainda hoje, pessoas preguem a tal da benevolência para com o outro, a manifestação pacífica e ainda assim, com os ânimos aflorados com as derrotas, entregam-se à animosidade em sua mais pura e descabida forma.
Na última terça-feira (8), estive à frente da TV assistindo ao jogo do Brasil e Alemanha quando, para além da goleada da Seleção Alemã, fui surpreendido pelo coro em uníssono “Ei, Fred, vai tomar no c*!”

Parei e pensei em N coisas naquele momento a respeito disso. Especificamente disso.
Não bastasse a moral em baixa do time brasileiro, as vaias ao empenho (houve empenho, não houve?) dos jogadores para tentar reverter a situação, ainda há uma sobrecarga extremamente desmoralizante e prejudicial a um jogador específico, o qual fora tachado de inerte, “não-Fred-nem-cheira” e coisas afins.
Não, não nego que também fiz piadas do gênero direcionadas a este jogador especificamente, mas não gostaria de presenciar, dentro de casa, uma ofensa tão direta da minha própria nação por pior que fosse o meu desempenho em campo…
Foi grotesco. Bizarro. Incoerente com o que se tem pregado sobre respeito e espírito esportivo. Uma aula de incivilidade. Afinal, com o perdão da adaptação do ditado, “pimenta no c* dos outros é sempre um refresco!” Leia mais…

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Viva!

setembro 2, 2013 1 comentário

E mais um dia começa…

Ela acorda antes do despertador, espera o mesmo tocar e enrola pra levantar. Nesse tempo pensa: “O que farei de bom hoje?” ou “Será que preciso mesmo levantar?” ou “Pra quê trabalhar mesmo?”, não acha respostas, mas, mesmo assim levanta com o pensamento: “Espero que esse dia acabe logo!“.

Toma um banho demorado pra acordar, pensa nas responsabilidades, nos problemas, pensa no que fez a noite passada, pensa no rapaz que gosta, pensa tanto que já está atrasada. Arruma-se em 5 minutos, não toma café, pois isso é luxo pra quem está atrasado. Lembra-se do transporte que tem que pegar pra chegar ao trabalho e já fica com preguiça, mas, também se lembra de paixonites platônicas que irá encontrar no metrô e isso dá um ar de felicidade, mas, ainda sim espera o que dia acabe logo.

Chega ao trabalho e estão todos estão bem-humorados. Imagina o que aconteceu com eles pra tanto bom humor. Senta na sua mesa e já se irrita, pois a faxineira mexeu na mesa pra limpar e largou tudo bagunçado. Abre o e-mail e tem várias tarefas para ser realizada, nem começa o expediente e já está rezando para que o dia acabe logo.

Almoço, um momento de paz, de descanso, de felicidade, pena que dura apenas uma hora e antes mesmo que acabar os problemas voltam para assombrar. Por que esse dia não acaba logo?

Fim de expediente, mais uma vez vem o transporte público e desânimo. Imagina que legal seria sair, ir ao cinema, encontrar uns amigos, mas não vai para casa, descansa, não faz nada, assiste alguma coisa, lê um livro, come e vai deitar cedo, finalmente o dia está acabando, mas, amanhã começa tudo de novo. Antes de dormir, lembra-se do dia, lembra-se do que poderia ter feito, lembra-se do que fez e lembra que o dia passou e não fez nada de bom, nada relevante, apenas sobreviveu mais um dia e lá se foi mais um dia na sua vida…

 

GameOver

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ps. Se ler o texto, por gentileza, dê uma nota para ele. Obrigado.

Estorietas

Um problema que eu sempre tenho quando vou postar algo aqui é:

Como eu irei começar o texto?

Devo começar com um historia nada a ver sobre algo que aconteceu, apenas na minha cabeça, em um lugar distante? Sei lá. Mas isso não é a parte mais difícil. Difícil é escrever algo interessante e ao mesmo tempo engraçado, que ensine algo e que não faça diferença no seu dia, etc. E um problema puxa a outro e no fim eu já perdi o foco do que ia escrever. #FUDEU

Eu queria escrever bem. Sabe aqueles colunistas que você lê nos jornais? Eles devem dormir escrevendo, devem tomar banho escrevendo, cagando, transando. Esses safados venderam a alma, só pode. Tantos locais e situações diferentes, tantas estorietas, tantos motivos pra escrever e eu? Não consigo, pra escrever um texto desse tenho que acordar inspirado em algo, tem que acontecer algo, preciso de um motivo mas, esse não é o principal problema.

O principal problema em si, é escrever textos bem, com nexo e com um português decente. Já não sei, se fugi do assunto(qual era mesmo? ) ou se meu português está decente(esse tanto de vírgulas me fazem achar que não.).

Imaginem se eu tivesse feito algum curso de comunicação, que eu sempre quis fazer, que desastre seria. Imagina você assistindo o seu jornal favorito e a noticia viesse sem nexo ou pela metade. Nossa, todos iam pensar que o redator é a faxineira(não que a faxineira não seja capaz, mas acho que deva existir algum motivo pra se fazer faculdade pra isso). Que triste seria, morreria de fome. Ninguém me contrataria.

O mais simples é nunca divulgar nada que eu escrevo, assim eu evito que o mundo veja o meu desastre.

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ps. Tá cheio de erros? Legal!

Amoela

E do rala e rola, eis que surge a vida. Sim, meus queridos, vocês vieram da alegria dos seus pais e não daquele pássaro branco – queeunãotenhoaminimaideiadoquefazeondevive – chamado cegonha. Não vou entrar em detalhes mas naquele dia ou noite, no quarto ou banheiro,  cozinha ou quintal, tanto faz, quem sabe seu pai danadão colocou sua mãe sobre a pia ou na mesa de jantar, se pegou ela de … ou… se … Então, vamos parar por aqui pois isso não é um conto erótico.

xxx

Seus pais se “divertindo”

Naquele dia você foi concebido. E agora?

Sim, seus pais fizeram a cagadamaravilha de te ter. E agora o que você vai fazer desse precioso presente que eles arquitetaram – na maioria das vezes é acidental –, que é a sua vida?

No começo você irá apenas comer, dormir, chorar e cag… mas depois de alguns – ou muitos – anos de tanto mimimi tantas alegrias, você irá se tornar um jovem cheio de medos e planos. Vai querer entrar na faculdade, ter um bom emprego, uma vida maravilhosa ao lado de alguém. Mas é aí que a merda acontece: pra uns, achar alguém pra amar é tão simples, tão simples que trocam de amor tão fácil como trocam as figurinhas do álbum da Copa das Confederações.

Pra alguns poucos – ou muitos, não sei -, assim como eu, é bem mais complicado. Gostar é fácil, gosto de tanta gente, me relaciono com tantas pessoas e gosto disso, de conhecer  cada vez mais mas, amar que é bom… Sacomé né? Aquela sentimento inexplicável, você não para de pensar na pessoa, milhões de sentimentos e poucas palavras pra descrever essa MERDA!

Mas tudo bem, aí você acha a tão esperada pessoa, e agora? Sim, você achou que seria essa moleza? Que era só achar a pessoa ideal e que tudo ia ficar certo, que vocês iam viver felizes para sempre? Que ia levar ela pra um quarto e levar a extinção a população de gansos, de tantos afogamentos? Não, meu jovem.

Não existe amor perfeito, as pessoas que fazem tudo para que se torne. Sim, não basta só achar, tem cuidar, tem que sofrer – muito -, tem que sorrir, tem que chorar, tem que ter paciência, tem que ter briga pra depois fazer as pazes, tem que sentir, tem que ir… pra fruta que caiu… cansei.

Não pense que estou julgando a forma de amar das pessoas ou tentando colocar regras no amor, não ache que algo escrito aqui irá fazer você entender o que ele é.

Sim, meus caros amigos #UP‘enses, foi apenas um desabafo.

ps. Não me venham com essas filosofias de: “Nunca desista de algo que te faz feliz.” ou “Corra atrás dos seus sonhos.”. O simples fato é: “Quanto um não quer, dois não brigam.”
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