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O amor é inteligível. Ou não.

Cá estou eu, sob a luz do monitor, prestes a divagar (mais uma vez!) acerca de um tema tão maçante quanto excitante. É algo como o horário eleitoral gratuito. Não gostaram da comparação, não é? Entendo. Na verdade, nem sei bem ao certo o que quis dizer, mas sei que o que quis dizer não foge à razão. Entendem?
Ok, vamos lá.

Você nasce e então tudo é novo. Claro que é novo! Como poderia ser velho?
Tenho lá minhas teorias a respeito, mas não vem ao caso.
Tomemos por base o seu nascimento e vemos o elo mais forte e intenso do mundo se formando. Ou se formando outra vez, considerem-no como quiser. O elo mãe x filho é algo surreal e que foge a compreensão humana. É apenas algo divino capaz de despertar (ou despertar outra vez!) a essência divina do homem e trazê-la a tona. Sim, não há como contestar. Você já nasce amando. Talvez você nem saiba. Ou apenas não se lembra. E, com certeza, você já sofreu por isso.
Calma… Não precisa se munir de mil argumentos defendendo a teoria de que bebês só recebem estímulos e não são capazes de processar nada e blá blá blá. Instinto ou não, o fato é que há uma energia forte emanando da progenitora e, ali, o amor se faz presente.
Sabemos que em alguns casos, as coisas são mais complicadas. Mas não vamos tratá-los como prioridade aqui.

Você cresce. Sua vida ainda não é o mar de compreensões e boas assimilações, mas você sabe que você é um ser vivo. E não tem preocupações com isso. Você é uma criança e tudo o que quer é o doce sabor da vivência e tudo que ela pode te proporcionar. Você ouve um “te amo” dos seus pais, da sua tia, da sua vó e você apenas sabe que tem que amá-los de volta. É uma regra de família. Os laços afetivos vão se formando instintivamente e sem qualquer (?) influência direta nas suas vontades. Você passa a ter um elo muito forte com aqueles que o cercam e você aprecia a presença deles. Mas há, de fato, o amor?

Você cresce mais um pouco. Sua adolescência chega conturbada e cheia de crises existenciais. A ânsia de vencer tudo e todos, de se fazer invulnerável é algo praticamente irrefreável. Confusões, palpitações e seu coração se agita com a presença daquela pessoa. Você está se apaixonando e isso te permite ser o mais inexperiente cavaleiro em combate. Lutar ou não lutar: eis a questão! Descartemos, por ora, a pressão externa de todo o seio familiar e amistoso. Você se prepara para entregar seu coração para um sentimento que você sequer tem noção do que é capaz. Quando é compreendido e aceito de bom grado, o céu ainda é uma metáfora muito ineficaz para descrever o seu estado de espírito. Assim, o inferno também é pouco comparado a dor de não alcançar o seu tão amado objetivo. Mas, ali, houvera aquilo que se pode chamar de amor?

Sua vida adulta chega como um trator desgovernado sem freio e, pior, sem motorista. Cabe a você domar este gigante de aço. Ou você fica na trajetória do veículo ou assume a postura de controlá-lo. O fato é que as consequências serão marcantes desta fase em diante. Talvez você encontre o significado do que é o amor. Talvez você simplesmente aprenda que tudo o que já houvera vivido fazia parte da definição dessa palavra. Talvez você se regozije tal como um recém-chegado ao paraíso descrito em livros religiosos. Talvez (eu disse talvez?) você sinta o amargo sabor do inferno transitando lentamente em suas veias por um amor que lhe tenha causado alguma decepção.
Mas essa dualidade em tudo que conhecemos como mundo é implacável. Então, como lidar com uma energia/força ou sentimento/sensação (ou seja lá qual for a sua definição) tão poderosa como o amor?
Evitá-lo para evitar novas feridas no coração (em sentido conotativo)?
Entregar-se, de modo a sentir-se no paraíso?
Conflituamo-nos a cada dia. E, como é bem sabido, nós passamos aos dias. Temos tempo o suficiente para pensar a respeito? Tempo suficiente para agir a respeito?

Uma vez estive comigo mesmo. E tudo o que me fora aconselhado era a amar. Não importa de que forma, com qual intensidade, com ou sem efemeridade, mas levo este conselho comigo. E repasso a você.
Talvez o amor não seja tão complicado quando se reconhece as próprias complicações.
Talvez o amor surja de uma noite para outra, numa esquina, numa década de convivência, desconsiderando a aparência.
Talvez o talvez seja apenas uma forma de instigar a procurá-lo.
Quando achá-lo, abstenha-se de tentar entendê-lo.
Questione-se: há, de fato, a plenitude do amor?

Ah, o amor… Mal interpretado e utilizado como força motriz para guerras e – tal qual a dicotomia da análise me permite dizer – a solução para todo o tipo de conflito existente neste lugar que compreendemos como mundo.
Você com certeza vai encontrá-lo. E vai percebê-lo. Ou vai percebê-lo novamente.
Ou vai, finalmente, entender o seu significado maior.
Neste caso, por favor, não volte para contar.
Afinal, não dá para senti-lo por palavras… Ou será que é possível?

Bem… Isso é demasiado confuso. Se é amor ou não, se foi vivido ou não, se foi intenso ou não ou se apenas foi… isso é uma questão que apenas diremos entender por toda a vida!

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Categorias:Filosofia Tags:, , ,
  1. x3carol
    maio 8, 2014 às 21:46

    Texto ótimo, gostei mesmo, primeria coisa que pensei foi “meu deus, que bom que as pessoas também escrevem e pensam sobre o amor, me sinto mais normal”.
    Alías brigada por me seguir no “Sinestesia e Retratos”.

    • maio 20, 2014 às 6:56

      Ah, que bacana ter esse feedback. Muito obrigado pelo comentário! Seja mais do que bem vinda e, de fato, achei o teu blog muito interessante.

      • x3carol
        maio 20, 2014 às 7:04

        Mto obrigada!

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