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Archive for the ‘Filosofia’ Category

Fim de semana

Ele acorda, abre os olhos e sem coragem para encarar a claridade, se espreguiça para avisar para o resto do corpo que ele oficialmente acordou, ao mesmo tempo, ele respira fundo como se estivesse estocando ar para a fadiga do longo dia que tem pela frente. Faz tudo isso tão sincronizado, como se fosse algo que não precisasse da ajuda do cérebro, e aí então, o cérebro o lembra que ele ainda está lá e com ele vem vários pensamentos e lembranças. De tudo que lembra,  nada é mais importante do que lembrar dela. Sim, dela! Aí o coração trabalha mais feliz, parece até escola de samba no desfile de campeã.

Nesse mundo tecnológico, ele busca a razão que faz com que cérebro e coração sincronizem-se perfeitamente. Uma mensagem de bom dia, um status na rede social ou até mesmo uma foto mostrando que para ela o dia já está a todo vapor. George Orwell em seu livro 1984, descreve um mundo louco, cheio de tecnologia. Imagina se naquela época, 1948, quando o livro foi escrito, existissem realmente as “teletelas”. Hoje ele daria um abraço nela, graças a alguma tecnologia com hologramas ou coisa parecida, mas ainda não chegamos lá.

Como é bom sonhar, do mesmo jeito que ele sonha com ela, como é bom esperar mais do futuro. Como é bom esperar ansiosamente o fim de semana e acompanhando-o está justamente a razão da sua existência por essa selva de pedra monocromática, fria e vazia. Faz parecer que tudo tem sentido, que o transito é apenas um desafio que você precisa resolver para ganhar o tão esperado prêmio. O fim de semana. Ela.

E assim são os meus dias, ou talvez, assim eram, assim era o começo da vida que eu construí na minha imaginação. Mas e depois? O depois não importa, vivia esperando apenas para viver o fim de semana. Para viver com ela.

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Viva!

setembro 2, 2013 1 comentário

E mais um dia começa…

Ela acorda antes do despertador, espera o mesmo tocar e enrola pra levantar. Nesse tempo pensa: “O que farei de bom hoje?” ou “Será que preciso mesmo levantar?” ou “Pra quê trabalhar mesmo?”, não acha respostas, mas, mesmo assim levanta com o pensamento: “Espero que esse dia acabe logo!“.

Toma um banho demorado pra acordar, pensa nas responsabilidades, nos problemas, pensa no que fez a noite passada, pensa no rapaz que gosta, pensa tanto que já está atrasada. Arruma-se em 5 minutos, não toma café, pois isso é luxo pra quem está atrasado. Lembra-se do transporte que tem que pegar pra chegar ao trabalho e já fica com preguiça, mas, também se lembra de paixonites platônicas que irá encontrar no metrô e isso dá um ar de felicidade, mas, ainda sim espera o que dia acabe logo.

Chega ao trabalho e estão todos estão bem-humorados. Imagina o que aconteceu com eles pra tanto bom humor. Senta na sua mesa e já se irrita, pois a faxineira mexeu na mesa pra limpar e largou tudo bagunçado. Abre o e-mail e tem várias tarefas para ser realizada, nem começa o expediente e já está rezando para que o dia acabe logo.

Almoço, um momento de paz, de descanso, de felicidade, pena que dura apenas uma hora e antes mesmo que acabar os problemas voltam para assombrar. Por que esse dia não acaba logo?

Fim de expediente, mais uma vez vem o transporte público e desânimo. Imagina que legal seria sair, ir ao cinema, encontrar uns amigos, mas não vai para casa, descansa, não faz nada, assiste alguma coisa, lê um livro, come e vai deitar cedo, finalmente o dia está acabando, mas, amanhã começa tudo de novo. Antes de dormir, lembra-se do dia, lembra-se do que poderia ter feito, lembra-se do que fez e lembra que o dia passou e não fez nada de bom, nada relevante, apenas sobreviveu mais um dia e lá se foi mais um dia na sua vida…

 

GameOver

1L”

ps. Se ler o texto, por gentileza, dê uma nota para ele. Obrigado.

Amoela

E do rala e rola, eis que surge a vida. Sim, meus queridos, vocês vieram da alegria dos seus pais e não daquele pássaro branco – queeunãotenhoaminimaideiadoquefazeondevive – chamado cegonha. Não vou entrar em detalhes mas naquele dia ou noite, no quarto ou banheiro,  cozinha ou quintal, tanto faz, quem sabe seu pai danadão colocou sua mãe sobre a pia ou na mesa de jantar, se pegou ela de … ou… se … Então, vamos parar por aqui pois isso não é um conto erótico.

xxx

Seus pais se “divertindo”

Naquele dia você foi concebido. E agora?

Sim, seus pais fizeram a cagadamaravilha de te ter. E agora o que você vai fazer desse precioso presente que eles arquitetaram – na maioria das vezes é acidental –, que é a sua vida?

No começo você irá apenas comer, dormir, chorar e cag… mas depois de alguns – ou muitos – anos de tanto mimimi tantas alegrias, você irá se tornar um jovem cheio de medos e planos. Vai querer entrar na faculdade, ter um bom emprego, uma vida maravilhosa ao lado de alguém. Mas é aí que a merda acontece: pra uns, achar alguém pra amar é tão simples, tão simples que trocam de amor tão fácil como trocam as figurinhas do álbum da Copa das Confederações.

Pra alguns poucos – ou muitos, não sei -, assim como eu, é bem mais complicado. Gostar é fácil, gosto de tanta gente, me relaciono com tantas pessoas e gosto disso, de conhecer  cada vez mais mas, amar que é bom… Sacomé né? Aquela sentimento inexplicável, você não para de pensar na pessoa, milhões de sentimentos e poucas palavras pra descrever essa MERDA!

Mas tudo bem, aí você acha a tão esperada pessoa, e agora? Sim, você achou que seria essa moleza? Que era só achar a pessoa ideal e que tudo ia ficar certo, que vocês iam viver felizes para sempre? Que ia levar ela pra um quarto e levar a extinção a população de gansos, de tantos afogamentos? Não, meu jovem.

Não existe amor perfeito, as pessoas que fazem tudo para que se torne. Sim, não basta só achar, tem cuidar, tem que sofrer – muito -, tem que sorrir, tem que chorar, tem que ter paciência, tem que ter briga pra depois fazer as pazes, tem que sentir, tem que ir… pra fruta que caiu… cansei.

Não pense que estou julgando a forma de amar das pessoas ou tentando colocar regras no amor, não ache que algo escrito aqui irá fazer você entender o que ele é.

Sim, meus caros amigos #UP‘enses, foi apenas um desabafo.

ps. Não me venham com essas filosofias de: “Nunca desista de algo que te faz feliz.” ou “Corra atrás dos seus sonhos.”. O simples fato é: “Quanto um não quer, dois não brigam.”
1L”

O amor é inteligível. Ou não.

agosto 22, 2012 3 comentários

Cá estou eu, sob a luz do monitor, prestes a divagar (mais uma vez!) acerca de um tema tão maçante quanto excitante. É algo como o horário eleitoral gratuito. Não gostaram da comparação, não é? Entendo. Na verdade, nem sei bem ao certo o que quis dizer, mas sei que o que quis dizer não foge à razão. Entendem?
Ok, vamos lá.

Você nasce e então tudo é novo. Claro que é novo! Como poderia ser velho?
Tenho lá minhas teorias a respeito, mas não vem ao caso.
Tomemos por base o seu nascimento e vemos o elo mais forte e intenso do mundo se formando. Ou se formando outra vez, considerem-no como quiser. O elo mãe x filho é algo surreal e que foge a compreensão humana. É apenas algo divino capaz de despertar (ou despertar outra vez!) a essência divina do homem e trazê-la a tona. Sim, não há como contestar. Você já nasce amando. Talvez você nem saiba. Ou apenas não se lembra. E, com certeza, você já sofreu por isso.
Calma… Não precisa se munir de mil argumentos defendendo a teoria de que bebês só recebem estímulos e não são capazes de processar nada e blá blá blá. Instinto ou não, o fato é que há uma energia forte emanando da progenitora e, ali, o amor se faz presente.
Sabemos que em alguns casos, as coisas são mais complicadas. Mas não vamos tratá-los como prioridade aqui.

Você cresce. Sua vida ainda não é o mar de compreensões e boas assimilações, mas você sabe que você é um ser vivo. E não tem preocupações com isso. Você é uma criança e tudo o que quer é o doce sabor da vivência e tudo que ela pode te proporcionar. Você ouve um “te amo” dos seus pais, da sua tia, da sua vó e você apenas sabe que tem que amá-los de volta. É uma regra de família. Os laços afetivos vão se formando instintivamente e sem qualquer (?) influência direta nas suas vontades. Você passa a ter um elo muito forte com aqueles que o cercam e você aprecia a presença deles. Mas há, de fato, o amor?

Você cresce mais um pouco. Sua adolescência chega conturbada e cheia de crises existenciais. A ânsia de vencer tudo e todos, de se fazer invulnerável é algo praticamente irrefreável. Confusões, palpitações e seu coração se agita com a presença daquela pessoa. Você está se apaixonando e isso te permite ser o mais inexperiente cavaleiro em combate. Lutar ou não lutar: eis a questão! Descartemos, por ora, a pressão externa de todo o seio familiar e amistoso. Você se prepara para entregar seu coração para um sentimento que você sequer tem noção do que é capaz. Quando é compreendido e aceito de bom grado, o céu ainda é uma metáfora muito ineficaz para descrever o seu estado de espírito. Assim, o inferno também é pouco comparado a dor de não alcançar o seu tão amado objetivo. Mas, ali, houvera aquilo que se pode chamar de amor?

Sua vida adulta chega como um trator desgovernado sem freio e, pior, sem motorista. Cabe a você domar este gigante de aço. Ou você fica na trajetória do veículo ou assume a postura de controlá-lo. O fato é que as consequências serão marcantes desta fase em diante. Talvez você encontre o significado do que é o amor. Talvez você simplesmente aprenda que tudo o que já houvera vivido fazia parte da definição dessa palavra. Talvez você se regozije tal como um recém-chegado ao paraíso descrito em livros religiosos. Talvez (eu disse talvez?) você sinta o amargo sabor do inferno transitando lentamente em suas veias por um amor que lhe tenha causado alguma decepção.
Mas essa dualidade em tudo que conhecemos como mundo é implacável. Então, como lidar com uma energia/força ou sentimento/sensação (ou seja lá qual for a sua definição) tão poderosa como o amor?
Evitá-lo para evitar novas feridas no coração (em sentido conotativo)?
Entregar-se, de modo a sentir-se no paraíso?
Conflituamo-nos a cada dia. E, como é bem sabido, nós passamos aos dias. Temos tempo o suficiente para pensar a respeito? Tempo suficiente para agir a respeito?

Uma vez estive comigo mesmo. E tudo o que me fora aconselhado era a amar. Não importa de que forma, com qual intensidade, com ou sem efemeridade, mas levo este conselho comigo. E repasso a você.
Talvez o amor não seja tão complicado quando se reconhece as próprias complicações.
Talvez o amor surja de uma noite para outra, numa esquina, numa década de convivência, desconsiderando a aparência.
Talvez o talvez seja apenas uma forma de instigar a procurá-lo.
Quando achá-lo, abstenha-se de tentar entendê-lo.
Questione-se: há, de fato, a plenitude do amor?

Ah, o amor… Mal interpretado e utilizado como força motriz para guerras e – tal qual a dicotomia da análise me permite dizer – a solução para todo o tipo de conflito existente neste lugar que compreendemos como mundo.
Você com certeza vai encontrá-lo. E vai percebê-lo. Ou vai percebê-lo novamente.
Ou vai, finalmente, entender o seu significado maior.
Neste caso, por favor, não volte para contar.
Afinal, não dá para senti-lo por palavras… Ou será que é possível?

Bem… Isso é demasiado confuso. Se é amor ou não, se foi vivido ou não, se foi intenso ou não ou se apenas foi… isso é uma questão que apenas diremos entender por toda a vida!

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Dia de cão

outubro 21, 2011 Deixe um comentário

Era uma noite estranha. Sabia que, em algum momento, algo iria acontecer. De bom ou ruim. A sensação era confusa, mas era forte.
Lá estava eu, sentado a observar tudo e todos. A noite fria me cobria, fazendo-me lembrar da incapacidade de lidar com situações adversas em momentos adversos. Lá estava eu: sentado a esperar o ônibus pra voltar pra casa.
Havia umas cinco pessoas por ali. Cansadas devido a um intenso dia de trabalho. Seus uniformes, seus trejeitos, seus cabelos desgrenhados não negavam tamanho esforço diário e o desejo de voltar pra casa e simplesmente descansar para encarar mais um dia cansativo.
Ao fundo, as ondas insistiam raivosas em se chocar contra a muralha de pedra ali erguida para reter o mar. O vento vinha intenso, salgado e úmido.
E ali, eu, totalmente mergulhado em meus pensamentos, deparei-me com uma cena curiosa. É, talvez essa seja a palavra que melhor define: curiosa.
Do outro lado da rua, aproximava-se um casal de jovens.
Sob uma marquise, no canto limítrofe do outro prédio, ali ficaram. E ali trocaram carícias.
Não houve obscenidades ou qualquer tipo de atitude que ferisse a moral de quem os observasse. O fato é que era extremamente visível o amor que dali exalava.
E ali ficaram. Curtindo-se. Amando-se.

O cenário mudou. Eis o personagem principal.
Vindo de longe, dobrando a esquina, vinha um animal de médio porte, todo magrelo e desengonçado, farejando cuidadosamente cada pedaço da rua.
Aquele cão de pelagem alaranjada pela luz do poste se fazia curioso, com faro aguçado e inquieto. Farejava cada canto com a minúcia e destreza típica de um cão.
Um cão faminto. Via-se, dali mesmo onde se encontrava o meu olhar, suas costelas à mostra, seu olhar cabisbaixo, seu desespero por um abrigo e por algo que abrigasse sua tão faminta e sedenta alma. Aproximou-se de uma poça d’água e bebericou um pouco. O gosto salgado da água do mar não o agradou.
Pôs-se, então, a buscar algum alimento na terra. Atravessou a rua e se deparou com um pedaço de concreto. Mordeu um pedaço de madeira que ali estava fincado e arrastou o que eu supus ter uns 15kg. Ali encontrou terra e mordiscou algo indecifrável.

Deste lado da rua, eu observava atentamente. E ria. Era incrível como aquele pobre animal conseguia enfrentar as adversidades da vida na rua e ainda se manter de pé, buscando sempre algo que pudesse suprir sua carência, sem deixar de lutar.
As pessoas comentavam. Era o assunto daquele instante.

Depois de alguns segundos em sua busca, ele finalmente achou o que queria. Ou o que precisava.
Não era um pedaço de carne, não era um pedaço de pão, tampouco uma tigela de ração. Não era água ou leite.
O pobre cachorro encontrara o jovem casal. Havia parado de farejar como um louco.
Olhou de longe e foi se aproximando va-ga-ro-sa-men-te.  O casal olhou para ele e riu. Não o expulsara dali.
Ele se aproximou um pouco mais, mas não os intimidou. Olhou diretamente nos olhos deles e se virou para a rua. Observou atentamente os olhares alheios e percebeu que não havia ninguém que pudesse incomodá-lo. E incomodá-los.
Espreguiçou-se e, calmamente, rodou duas vezes antes de deitar encolhido.
O casal observava curioso e com sorrisos de espanto. Do lado de cá, eu ria com aquela cena.
As pessoas olhavam e apontavam rindo do feito do cão.
Mas as risadas cessaram.

O cão havia encontrado seu refúgio, seu ambiente prazeroso, quente, onde podia sim confiar e se sentir bem.
Havia percebido um ambiente afável, sem hostilidade, onde podia descansar.
Pôs-se a fechar os olhinhos marejados calmamente, como se fosse dormir tranquilo por saber que havia ali um casal o qual zelaria por ele.
Sentiu a confiança e a bondade daquele lugar e ali ficara.
Fechara seus olhos, abanara seu rabo e se manteve estático por longos minutos.
Um carro parou do outro lado da rua e o jovem casal nele entrou.
O ônibus chegou deste lado da rua e todos ali presentes nele subiram, inclusive eu.
Tive a chance, ainda, de sentar próximo a janela.
E eu o vi pela última vez. Seus olhos lacrimejantes procuraram o casal que ali estava. Foi em vão.
Seu refúgio se fora e com ele a sua esperança tola. Fraco e com poucas energias, encolhera-se um pouco mais para se proteger da crueldade da noite fria.
E o ônibus saiu. E meus olhos ali ficaram a observar o pobre cão.
Se vivo ele ainda está, não sei. Espero apenas que não tenha desistido de viver, mesmo sofrendo com as intempéries da vida nas ruas.

A noite se foi.
O novo dia chegou.
Para mim, confortável; para o cão e para o povo sofrido, não tenho tanta certeza disso.

Avulso dia

setembro 12, 2011 1 comentário

Hoje acordei e não vi nada passar.
Não vi o vento, mas isso já era de se esperar.
Se nervoso estava, procurava me acalmar.
Se inquieto estive, tranquilo pude ficar.

O dia se foi.
E com ele, a minha atenção.
Foi-se o meu foco, a minha distração.

Um dia se foi. Mais um.
Sobrevivido. Nada vivido.
Foi como texto não lido.
Um sentimento incomum.

Caminhando sozinho, no horizonte logo desaparecia.
Pus-me, em algum instante, a admirar a luz deste avulso dia.

Então eu ri.
Então eu me lembrei.
Entendi.
Assimilei.

Dias assim virão. Pronto estarei.
Pensamentos se vão. Para onde?

Não sei.

[…]

Trazendo um pouco do Fala Que Eu te Ovo! para este blog.

Viver a vida

maio 30, 2011 3 comentários

Viver é algo mesmo complicado, não é mesmo?

Você nasce, vive todo um mundo de brincadeiras, diversões e boas vivências.
Ilusão. Pensamos que as crianças vivem num mundo assim. Não é.
O mundo delas é que é o mundo real: o mundo incrível como ele é.
Todos os sentidos mais intensos e mais vívidos. A esperança contínua. A fé inabalável. Os medos constantes de monstros gigantes da imaginação adulta em nós implantados.
Então tudo isso se vai…


Tornamo-nos seres mais cientes da “realidade” que nos cerca.
O mundo passa a ter cores mais acinzentadas e surgem preocupações. Estas, por sua vez, são tidas como fúteis ou de pouca relevância pelos adultos. Somos jovens com sentidos mais intensos. A necessidade de mudança constante se faz presente. A fé se descortina e se torna suscetível à completa instabilidade. Os medos constantes de monstros gigantes — desta vez concretos — passam a fazer parte do cotidiano.
Então tudo isso se vai…


Tornamo-nos seres mais cientes da “realidade” que de nós faz parte.
A vida  adulta nos chega de uma forma avassaladora, cruel e esmagadora: o peso das responsabilidades e o futuro sendo vivido a cada dia. As cores cinzas, outrora esporádicas, fazem-se constantemente ao nosso lado. Preocupações, preocupações e mais preocupações são nossas companheiras inseparáveis. A fé é o instrumento de apoio no qual nos sustentamos para encarar as problemáticas da vida de forma mais amena. Os medos — ah, os medos — são tão intensos e perturbadores que por muitas vezes nos sufocam. Os monstros são muito menores, mas se agrupam e nos fazem temê-los co-ti-di-a-na-men-te.
Os sentidos são apenas sentidos: se sentidas, as sensações são valorizadas com uma fugacidade impressionante. Então tais sensações se vão. E vêm novamente.  Mudar não é mais necessário e sim opcional. Reiventar-se, por sua vez, é fundamental.
Então tudo isso se vai…


Envelhecemos. Aparentemente, é claro.
Tornamo-nos seres bem vividos (ou não) com uma bagagem de experiências cruciais para lidar com a vida nesta fase. A sabedoria adquirida com acertos e mais acertos nos torna fortes e sólidos. Acertos, sim. Na vida não há erros, lembre-se disso. O que há, em fato, são acertos que não nos agradam.
A vida é pesada. Mas temos forças. Outros dirão o contrário, dada a nossa aparência, mas se equivocam. Preocupamo-nos com o bem-estar dos nossos filhos, netos e gerações posteriores. O futuro é algo do qual já não podemos ter tanta certeza de vivenciar. A fé nos mantém. Fé no que de bom virá, seja para nós ou para os que virão. Os medos — ah, os medos — onde estão? Foram-se. Estão presos num cantinho da mente o qual não queremos revirar. Os sentidos não mais são nossos e sim de nossas lembranças. Mudança… Não mudamos os pensamentos conservadores de outrora.
Então tudo isso se vai…


A vida é complicada.
Não é necessário que a compliquemos ainda mais com as frivolidades da mesma.
Inimizades, preocupações intensas, desânimo, orgulho, raiva, irresponsabilidade social… Desperdice tudo isso.
Não perca a vida vivendo o outro. Viva-se e permita-se conviver com o outro com leveza.
Destrua o que há de ruim em relações. Não permita que seus dias sejam manchados pela inveja, tristeza, raiva dos outros.

Ria com leveza ou com extremo prazer. O seu sorriso pode ser simples e pode ser fantástico para quem o vê.
Ame com intensidade. Não tenha medo de dizer “eu te amo” para quem você dedica este sentimento. Se já foi dito, reforce. Sofra de amor, mas não se deixe levar pelo sofrimento. Refaça-se e siga em frente. Ame como se não houvesse amanhã. O amanhã pode mesmo não estar lá no dia seguinte.
Dedique-se a pensar e ajudar o próximo. Não há mudança, ainda que pequena, que não seja mudança. Um simples ato pode ser algo grandioso para quem precisa de sua atenção.
Seja paciente. Nem tudo pode ser adquirido num curto espaço de tempo.
Não ligue para a cor da pele. Ela não é responsável pelo engrandecimento de ninguém. O que te faz não é o que você parece ser e sim o que você construiu.
Converse mais. Exponha seus problemas para quem te ouve e divida o peso do seu viver. Compartilhe também suas mais incríveis alegrias de modo que esta se espalhe e contagie o maior número de pessoas possível.
Chore à vontade, quando necessário for. Não há nada mais renovador que lágrimas nos olhos. O peso da alegria e da tristeza transbordam em forma de líquido salgado.
Respire. Sinta o ar que te cerca. Reflita. Tenha paz consigo.
Não se intimide com o fracasso do outro. Sua capacidade de atingir seus objetivos é superior até mesmo a sua própria vontade.
Seja simples. Viver não requer regras emocionais e moldes de personalidade. Seja você mesmo.

Lute. Siga em frente. Idealize. Sonhe. Olhe. Ouça. Fale. Cante. Seja.
Lembre-se de que o mundo é belo e cabe a nós mantê-lo como tal.
Viva!


Que objetivo teria a vida senão o de ser vivida?

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