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Archive for the ‘Post Sem Categoria’ Category

Eu-Tempo

novembro 7, 2015 Deixe um comentário

Tempo resolveu, novamente, passear por entre as ruas desta cidade líquida. Eu, cá a observá-lo, notei um quê de melancolia nos passos arrastados, pesarosos e um tanto irregulares. Parece-me fatigado. 
Quando o percebi, carregando em seu corpo uma vestimenta amarelada, olhar furtivo e duas ou três pitadas de pele crua, logo parou, olhou, escutou o que ali se passava. Decerto que jamais saberei o que se passou a sua frente, mas queria entender o porquê da impassibilidade em sua face.

(…)

Vi uma figura cinza caminhando em minha direção. Imóvel, não sei bem o porquê, contive minha respiração e ou-vi, com temor, o ruído incauto do seu arrastar de pés, como se aquilo tudo tivesse sido a verdadeira causa da minha imobilidade.
Não sei como notou minha presença.
Meu corpo estremeceu, numa tentativa de fazer voltar a girar as horas.
Ao seu breve piscar de olhos, num rompante, todo ar se tornou movimento e nele pude, finalmente, seguir.

(…)

Tempo talvez não soubesse, mas agi como ele num instante breve. Já não ou-via mais nada: tudo me era no-ta-da-men-te pausado e somente eu estava em movimento, em sua direção, com passos também arrastados, pesarosos e um tanto irregulares. Senti-me fatigado.

Breve encontro, bem sei. Reflexo e reflexão.
Não há como contestar que seus vestígios ficaram a dançar nas alegorias do vento em forma de folhas amareladas caindo próximas aos meus pés.
Talvez estivesse tentando me dizer que meu caminhar devesse ser tão leve quanto.

Isso, no entanto, só ele poderá dizer.

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Deixou…

 

deixou de acordar cedo, o dia não parecia mais interessante
deixou a cama bagunçada, não tinha mais animo pra arrumar
deixou o café esfriar decidiu que chá era melhor
deixou de ir na academia, deixa os monstros só nos medos
deixou o livro na metade, aquela ideia de autor já era ultrapassada
deixou de se passar perfume, o seu cheiro ainda estava em sua roupa
deixou de usar preto, pois lembrava da cor do seu cabelo,
deixou a alegria, ainda escutava o som da sua risada,
deixou de dormir, todas as noites seus sonhos eram invadidos
deixou a emoção e só conversou com a razão
deixou de pensar
deixou de se importar e quando deixou tudo…

 

Tudo, ainda não o tinha deixado.

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“Ei, ‘fulano’, vai tomar no c*!” – Sobre a (falta de) civilidade brasileira

É inquietante o fato de que, ainda hoje, pessoas preguem a tal da benevolência para com o outro, a manifestação pacífica e ainda assim, com os ânimos aflorados com as derrotas, entregam-se à animosidade em sua mais pura e descabida forma.
Na última terça-feira (8), estive à frente da TV assistindo ao jogo do Brasil e Alemanha quando, para além da goleada da Seleção Alemã, fui surpreendido pelo coro em uníssono “Ei, Fred, vai tomar no c*!”

Parei e pensei em N coisas naquele momento a respeito disso. Especificamente disso.
Não bastasse a moral em baixa do time brasileiro, as vaias ao empenho (houve empenho, não houve?) dos jogadores para tentar reverter a situação, ainda há uma sobrecarga extremamente desmoralizante e prejudicial a um jogador específico, o qual fora tachado de inerte, “não-Fred-nem-cheira” e coisas afins.
Não, não nego que também fiz piadas do gênero direcionadas a este jogador especificamente, mas não gostaria de presenciar, dentro de casa, uma ofensa tão direta da minha própria nação por pior que fosse o meu desempenho em campo…
Foi grotesco. Bizarro. Incoerente com o que se tem pregado sobre respeito e espírito esportivo. Uma aula de incivilidade. Afinal, com o perdão da adaptação do ditado, “pimenta no c* dos outros é sempre um refresco!” Leia mais…

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Animação!

Fala, galera, tudo em riba?
“Cadê a animação de vocês?” – disse o professor. Tratava-se de uma pergunta ambígua, óbvio.
Naquela turma de apenas 2 alunos, minha motivação para desenvolver um trabalho durante o semestre tinha ido de 10 a 2 em apenas uma semana. Problemas iniciais (e finais!), pancadaria com os programas que insistiam em travar e salvar automaticamente durante horaszZzZZzZzzZ. Enfim… O semestre ainda não acabou, mas nesta última noite, consegui(mos) finalizar a animação pretendida.

Muito embora não conste nos créditos (ora, desculpem!), gostaria de agradecer a Ana Carvalho e seu irmão Edie, bem como Alberto Vinicius. Além do mais, um agradecimento especialíssimo a minha namorada Jamile Menezes. Sem essas criaturinhas, não teria realizado o trabalho de animação com a ferramenta mais legal do universo que ganhei num “presente-micareta”: uma mesa digitalizadora.
Bom, não vou falar quase nada, porque em breve publicarei o resultado e discorrerei algumas (muitas!) linhas a respeito do trabalho.
Por enquanto, devo dizer que, com o perdão do trocadilho infame, estou animado pra caramba e feliz por ter conseguido finalizar tudinho.

O semestre ainda não acabou, mas se há algo que eu tenha aprendido durante esses últimos meses, é que animação é fundamental.

Até breve, pessoal!

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Qual é o problema da vírgula?

julho 27, 2012 Deixe um comentário

Em meio a uma de minhas viagens rotineiras no ciberespaço, questionei-me (como de praxe) a respeito da problemática que assola a pobre vírgula. Nem mesmo o atrito, personagem master em questões de Física, é tão desprezado quanto a fulana.

Ela não aparece quando se quer. Fica tímida no seu canto (qual?) e ninguém quer saber de se utilizar da coitada.
Fico cá a pensar com meus botões: deve ser receio de se tornar abusivo… chato!
Quem não a usa, não sabe o mal que faz para sua grande mãe, a dona Gramática. Esta, tadinha, vive tomando pancadas e mais pancadas cotidianamente. Desprezo total.
E a vírgula segue sua vida, coitada, sem saber o que fazer. Não sabe se aparece, se quer ser usada, abusada, inutilizada…

O fato é que sem ela a vida talvez fique extremamente complicada de se lidar posto que mesmo sem saber a coitadinha desempenha um papel muito importante na comunicação escrita.

Nem vou falar do ponto-e-vírgula. Só por ter o nome “vírgula” vinculado, já se sabe que é pouco (ou nunca!) utilizado.

Segue-se o rumo. O mundo não precisa de vírgula mesmo.
Que o problema continue distante dos seres cibernéticos.
Mas, afinal, qual é o problema da vírgula?

Fim da Estampa

março 24, 2012 1 comentário

Tolice é se estressar por final de novela.
Ninguém pagou pelo canal, ninguém pagou pela atração e todo mundo tem o direito (e o dever!) de escolher o que lhe for conveniente. Ainda assim, temos um público insatisfeito. Ou, ao menos, disposto a satisfazer a opinião da maioria em prol de uma visibilidade social. Mas, ao fazê-lo, não estaria este se sujeitando à invisibilidade do caráter coletivo da opinião?

Onde se enquadra o indivíduo com a opinião individual na chamada “rede social”?
Teria ele o direito de reclamar?

Foi-se o tempo em que eu assistia às novelas. Que eu me lembre, acompanhei “O Beijo do Vampiro” e, acreditem, eu tinha 11 anos.
Não acompanhei a tal novela das 21h e estive com meu pai (!) esta noite e acompanhei o último capítulo da novela “Fina Estampa”. Ok, não acompanhei totalmente e fiquei perguntando quem diabos era Crô e o porquê de tanta enrolação. Teresa Cristina queria matar a tal da Griselda (que nome!) e blá blá blá.
Até aí, tudo bem.
Como não havia sequer acompanhado a novela, o final fora indiferente pra mim.
No entanto, como bom brasileiro que sou, tenho que comentar sobre aquilo que está em pauta, seja com uma crítica positiva ou destrutiva. Pois bem…
Não tecerei críticas à novela, posto que não tenho bases pra sustentar qualquer argumento. Entretanto, é inquestionável o caráter provocador dos telespectadores. Não basta assistir ao espetáculo: deve-se tecer comentários negativos (ainda que o objetivo não seja esse), porque o negativo chama a atenção.

Isso nada mais é do que o reflexo dessa onda de humor anti-ético, apolítico, antissocial, sarcástico e impune, trazendo a típica imagem de que o avesso, o oposto deve ser adorado para não cairmos no lugar-comum das piadas-clichês (e de ser clichê).
Ora… Percebe-se que se dá, portanto, o processo de massificação da contraversão. Tem-se assim o balanceamento (?) das discussões a respeito de todo e qualquer tema.
Para fugir da estereotipação, somos indiferentes. Ou fingimos ser, para que seja cool a imagem social. E se assim o somos, também somos atacados com opiniões contrárias.

O fato é que a necessidade do outro de instigar, provocar, arguir de forma incessante para provar um ponto nada mais é do que a nova roupagem adotada pelos lutadores da era digital: não se luta por alimentos, não se usa a força para provar um ponto. Há, em verdade, uma luta no ciberespaço para se autopromover e fazer-se “lido”.

A novela pode ter desapontado a muitos (muitíssimos, pelo visto), mas não há do que reclamar. O autor falhou ou se perdeu na sua própria criação? Até onde eu saiba, o público influencia na fruição da obra. O sentimento de posse é que o torna prepotente a ponto de julgar que aquilo que lhe é transmitido deve se moldar a sua linha de pensamento. Ora… Se tens o controle — na acepção maior da palavra —, use-o.
Afinal… Foi apenas uma novela. Sua vida também é e, nem por isso, ela vai ter o final agradável do modo que você espera.

[…]

When the king returns…

março 13, 2012 Deixe um comentário

Oláááá, caros leitores of cyber-universe, como têm passado, presente e futuro?
Bem, como podem perceber, estou de volta. Por quanto tempo, eu não sei.
Estou de férias (e só estou aqui tranquilamente por causa disso) e devo dizer que o ano de 2011 foi um ano incrível. Siiiim, incrível.
Foi surpreendente a minha coragem em me matricular na universidade e num curso que eu julgava improvável há alguns anos.
É, meus caros. A vida tem dessas coisas.
Namorada, amigos, aulas, aprendizado, viagens e tudo mais.
Bom, como este NÃO É (?) um blog de contos particulares (?), vamos direto ao ponto.

Ok, este foi um post aleatório e sem fundamento.
Quase sem fundamento.
Anuncio aqui, em primeira mão, que me farei presente nesse período de férias.
Espero que eu consiga manter o ritmo nos próximos meses.
Sem mais delongas, esperem por um post interessante em breve. Muito breve!
😀

C u all later.

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