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Dia de cão

outubro 21, 2011 Deixe um comentário

Era uma noite estranha. Sabia que, em algum momento, algo iria acontecer. De bom ou ruim. A sensação era confusa, mas era forte.
Lá estava eu, sentado a observar tudo e todos. A noite fria me cobria, fazendo-me lembrar da incapacidade de lidar com situações adversas em momentos adversos. Lá estava eu: sentado a esperar o ônibus pra voltar pra casa.
Havia umas cinco pessoas por ali. Cansadas devido a um intenso dia de trabalho. Seus uniformes, seus trejeitos, seus cabelos desgrenhados não negavam tamanho esforço diário e o desejo de voltar pra casa e simplesmente descansar para encarar mais um dia cansativo.
Ao fundo, as ondas insistiam raivosas em se chocar contra a muralha de pedra ali erguida para reter o mar. O vento vinha intenso, salgado e úmido.
E ali, eu, totalmente mergulhado em meus pensamentos, deparei-me com uma cena curiosa. É, talvez essa seja a palavra que melhor define: curiosa.
Do outro lado da rua, aproximava-se um casal de jovens.
Sob uma marquise, no canto limítrofe do outro prédio, ali ficaram. E ali trocaram carícias.
Não houve obscenidades ou qualquer tipo de atitude que ferisse a moral de quem os observasse. O fato é que era extremamente visível o amor que dali exalava.
E ali ficaram. Curtindo-se. Amando-se.

O cenário mudou. Eis o personagem principal.
Vindo de longe, dobrando a esquina, vinha um animal de médio porte, todo magrelo e desengonçado, farejando cuidadosamente cada pedaço da rua.
Aquele cão de pelagem alaranjada pela luz do poste se fazia curioso, com faro aguçado e inquieto. Farejava cada canto com a minúcia e destreza típica de um cão.
Um cão faminto. Via-se, dali mesmo onde se encontrava o meu olhar, suas costelas à mostra, seu olhar cabisbaixo, seu desespero por um abrigo e por algo que abrigasse sua tão faminta e sedenta alma. Aproximou-se de uma poça d’água e bebericou um pouco. O gosto salgado da água do mar não o agradou.
Pôs-se, então, a buscar algum alimento na terra. Atravessou a rua e se deparou com um pedaço de concreto. Mordeu um pedaço de madeira que ali estava fincado e arrastou o que eu supus ter uns 15kg. Ali encontrou terra e mordiscou algo indecifrável.

Deste lado da rua, eu observava atentamente. E ria. Era incrível como aquele pobre animal conseguia enfrentar as adversidades da vida na rua e ainda se manter de pé, buscando sempre algo que pudesse suprir sua carência, sem deixar de lutar.
As pessoas comentavam. Era o assunto daquele instante.

Depois de alguns segundos em sua busca, ele finalmente achou o que queria. Ou o que precisava.
Não era um pedaço de carne, não era um pedaço de pão, tampouco uma tigela de ração. Não era água ou leite.
O pobre cachorro encontrara o jovem casal. Havia parado de farejar como um louco.
Olhou de longe e foi se aproximando va-ga-ro-sa-men-te.  O casal olhou para ele e riu. Não o expulsara dali.
Ele se aproximou um pouco mais, mas não os intimidou. Olhou diretamente nos olhos deles e se virou para a rua. Observou atentamente os olhares alheios e percebeu que não havia ninguém que pudesse incomodá-lo. E incomodá-los.
Espreguiçou-se e, calmamente, rodou duas vezes antes de deitar encolhido.
O casal observava curioso e com sorrisos de espanto. Do lado de cá, eu ria com aquela cena.
As pessoas olhavam e apontavam rindo do feito do cão.
Mas as risadas cessaram.

O cão havia encontrado seu refúgio, seu ambiente prazeroso, quente, onde podia sim confiar e se sentir bem.
Havia percebido um ambiente afável, sem hostilidade, onde podia descansar.
Pôs-se a fechar os olhinhos marejados calmamente, como se fosse dormir tranquilo por saber que havia ali um casal o qual zelaria por ele.
Sentiu a confiança e a bondade daquele lugar e ali ficara.
Fechara seus olhos, abanara seu rabo e se manteve estático por longos minutos.
Um carro parou do outro lado da rua e o jovem casal nele entrou.
O ônibus chegou deste lado da rua e todos ali presentes nele subiram, inclusive eu.
Tive a chance, ainda, de sentar próximo a janela.
E eu o vi pela última vez. Seus olhos lacrimejantes procuraram o casal que ali estava. Foi em vão.
Seu refúgio se fora e com ele a sua esperança tola. Fraco e com poucas energias, encolhera-se um pouco mais para se proteger da crueldade da noite fria.
E o ônibus saiu. E meus olhos ali ficaram a observar o pobre cão.
Se vivo ele ainda está, não sei. Espero apenas que não tenha desistido de viver, mesmo sofrendo com as intempéries da vida nas ruas.

A noite se foi.
O novo dia chegou.
Para mim, confortável; para o cão e para o povo sofrido, não tenho tanta certeza disso.

As difíceis decisões

maio 6, 2011 3 comentários

Há momentos na vida os quais temos que encarar com maestria.
Temos que ser perspicazes e pensar com clareza.
Infelizmente, não foi o que me ocorreu há alguns dias.

É bem sabido que temos muito na vida a aprender e lidar.
No caso citado a seguir, no entato, fui pego “sem calças”.

A vida é feita de escolhas.
Tais escolhas é que moldam nosso futuro.
E assim foi…

Estive no supermercado para fazer as corriqueiras compras semanais.
Sim, meus caros… O jovem padawan universitário aqui tem que encarar essa rotina de compras. E de estresse.

Ora, por quê? Fazer compras é tão legal…

Entendam o sofrimento.
Elaborei um top 3 de itens básicos e constantes em minhas compras. Vamos lá!

1. Passo sempre pelas prateleiras de biscoitos.
Não há alimentos fúteis mais necessários a um jovem recém-saído da casa dos pais do que os tão “benéficos” biscoitos.
Alguns com alto teor de gordura, outros sem gordura trans, outros sem glúten, outros com e outros sem recheio.

Qual escolher?

Eu sempre fico ao menos uns 5 minutos pra escolher os biscoitos que irei comprar. Por mais que eu já tenha em mente que sempre irei levar os mesmos biscoitos, fico pensando nas possíveis ocasiões nas quais eu poderia comer os tais biscoitos.
Por exemplo: Se estou virando a madrugada na internet estudando filosofia, qual biscoito é mais adequado?
Descarto os biscoitos recheados. Dou preferência aos sem recheio e bebo um suco ou iogurte.
Na verdade, quase sempre descarto os biscoitos recheados. Não sou fã, enfim…

O xís da questão é que, de fato, sempre leve os mesmos biscoitos.

2. O hortifruti do supermercado é algo mais que fundamental para todo jovem aventureiro que se preze.
Sua mãe com certeza ficará orgulhosa de saber que você frequenta esta parte do supermercado. Melhor ainda: Ela se encherá de orgulho, amor, bênção e pagará todas as promessas se você comprar os itens dali e comê-los regularmente.
Olha que legal…

É, meuza migo, mas isso não é o que acontece. Como bem sabemos, os produtos sofrem bastante variação de preço e o incrível é que o preço sempre aumenta.
Você quer comprar mangas verdes para comer com sal e o kg da referida fruta custa o equivalente a 8 pacotes de biscoito.
Desculpa, mas as mangas ficarão para a próxima.

Você quer comprar bananas para comer com farinha láctea (desculpa se de vez em quando bate a nostalgia), porém o preço da banana é de chorar; o da farinha láctea, no entanto, é de cortar os pulsos.
Aí você chora por não comprar!

Eis que vem o ponto do problema:
Se as frutas ainda estivessem bem conservadas, tudo bem: Vale o “sacrifício”  de ver seus preciosos créditos do cartão sumirem com uma simples senha.
Infelizmente, eu não tenho essa sorte.
As frutas do mercado que frequento não têm a propriedade de serem bonitas e gostosas ao mesmo tempo. Os preços, seguem a mesma linha: Não são bonitos e gostosos pro meu bolso simultaneamente.

Paciência. É tudo o que você precisa…

3. O último lugar citado aqui hoje e não menos importante, é o setor de cosméticos de um supermercado.
As mulheres entram em polvorosa nesse momento e é, justamente, o local onde mais me perco e me estresso.
São três bilhões de opções de sabonetes, desodorantes, cremes hidratantes…

Ai, KM, como você é bobo… É tão simples essa parte!

Você mulher do sexo feminino, claro que deve pensar de tal forma. E não por menos: Vocês são experts nesse assunto.
Agora imaginem vocês que um jovem universitário longe de casa há mais de uma semana esteja na frente de uma prateleira como esta:

É, meus caros… A coisa se complica.
O critério de escolha dos itens segue uma lógica. Observe:

Desodorante – É o de sempre;
Sabonete – É cheiroso, antibacteriano e barato? Compro.
Shampoo Ehrr… bem…

Estive eu com a difícil tarefa de escolher um shampoo e um condicionador. Sim, pois eu sou do tipo que lava o cabelo.
Mas e aí?
Qual sabor escolher?

Eu me deparei com um arco-íris de cores dos mais variados formatos de embalagens “shampoorescas”.
A tarefa da escolha é tecnicamente simples: Você escolhe aquele produto que mais se adequa ao seu tipo de cabelo, certo?
ERRADO!

Você não tem tempo o suficiente para ficar olhando a descrição de cada embalagem, então o que você faz?
Resposta: Usa dois dos seus cinco sentidos!

VISÃO: Escolha uma cor de sua preferência.
OLFATO: Abra a embalagem e cheire o produto.

A cor da embalagem e o cheiro do produto te agradaram? Compre!
Escolhi a cor azul. Havia umas 4 embalagens azuis.
Abri todas as embalagens de shampoo, as cheirei e escolhi uma.

Seria simples se eu tivesse utilizado esse critério nos primeiros dos 15 minutos de observação. Não é exagero.
Nesse meio tempo, algumas mulheres passavam e me olhavam de longe com suas risadelas contidas. Eu lá tenho culpa de ser leigo no assunto, senhoras?
O interessante nisso tudo é que, ao chegar em casa, li atenta e pacientemente a descrição do produto. Era adequado ao meu tipo de cabelo!
Sigam esta dica, ó jovens desavisados e impacientes aventureiros de supermercado.

•••

Basicamente, é isso, pessoal.
Voltarei com mais uma das minhas aventuras de jovem universitário enfrentando essa vida longe de casa. Da minha casa.

Se vocês têm/tiveram dificuldades ao fazer compras no supermercado, comentem aí embaixo.
Caso não se enquadrem em nenhuma das opções supracitadas, comentem assim mesmo.

😀

texto inspirado no post do Quarto Universitário

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